Quem vai cuidar do futuro da empresa familiar?
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Os empreendedores fundadores de empresas ou aqueles que estão à frente de negócios familiares já herdados têm desafios constantes pela frente. Um deles é quando herdeiras ou herdeiros anunciam que não querem ficar ou trabalhar no negócio da família.
Quando o susto é grande, provavelmente é consequência da falta de conversas sobre o tema. E isso não é nada incomum. O fundador/a tem seu foco tão concentrado no dia a dia da empresa, em sua sobrevivência e crescimento a curto prazo, que a atenção a detalhes importantes em relação à sucessão, aos seus filhos e agregados é muitas vezes relegada a um plano menor.
Em geral, para o pai ou a mãe, a consanguinidade já é suficiente para garantir a continuidade do empreendimento familiar. Os desabores vividos pelos pais nestes momentos críticos e muito importantes poderiam ser evitados se todo o crescimento e o desenvolvimento, como pessoa da herdeira ou do herdeiro, pudessem ser acompanhados desde a infância.
Traços de personalidade, habilidades e aptidões precisam ser observados nos filhos desde a mais tenra idade. Dependendo do comportamento do filho ou da filha, ignorar alguns indícios pode gerar sérios entraves para a ocupação de posições de liderança nos negócios da família.
Importante observar os filhos quando brincam com amigos. A falta de companheirismo, o egocentrismo, o não saber perder e a ausência de liderança podem ser prenúncios de problemas futuros.
Quando já adultos e ativos nos negócios, estes sintomas, se não trabalhados precocemente, podem tornar a vida profissional da herdeira ou do herdeiro muito desmotivante.
Outro fator muito importante é expor os filhos às mais diversas culturas e situações, para que desenvolvam empatia e respeitem as diferenças. Ter um hobby ou interesses variados faz com que se desenvolva também uma cultura mais ampla que permitirá a conexão com diferentes mundos e será um forte abridor de portas para os negócios.
No fundo, trata-se de desenvolver um diálogo entre pais e filhos e, consequentemente, uma relação de confiança. Isso tornará muito mais fácil observar e sentir se as filhas ou os filhos têm interesse ou motivação pelos negócios da família.
Cabe, portanto, aos pais manter o diálogo aberto e incentivar os filhos na busca de seus caminhos.
A partir daí, um plano de transição pode ser traçado anos antes da efetiva passagem de bastão, sem o receio de acontecerem surpresas. Outro ponto importante a destacar é que o diálogo entre pais e filhos não deveria cessar quando a nova geração assumir posições na empresa. Ao contrário. A pauta dos assuntos deveria desdobrar-se em questões profissionais, empresariais e, sobretudo, pessoais. Sabemos que é um desafio para os pais criarem abertura e espaço para tais diálogos, mas eles são imprescindíveis para uma convivência mais tranquila.
No universo das empresas familiares ou famílias empresárias, é corrente a ideia de que, numa empresa familiar, a gestão deve estar nas mãos da família. No entanto, se na família não encontrarmos, ou não tivermos o profissional com as competências e habilidades necessárias, novos modelos de gestão e governança precisam ser encontrados. E existem diversos. Entretanto, uma coisa é patente. Queira ou não queiram, as filhas e/ou os filhos serão no futuro, por força da legislação brasileira, herdeiros do patrimônio familiar, incluindo os negócios. Gostando ou não, os jovens da nova geração deverão ser educados para assumir responsabilidades na governança das empresas de suas famílias. Ou seja, será o momento da entrada de novos conselheiros e/ou acionistas. E trazer a bordo um familiar sem preparo é um conflito na certa.







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