Empresas familiares, independentes dos herdeiros
- Thomas Lanz
- há 26 minutos
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Existe um mito nas famílias empresárias de que o negócio certamente será administrado futuramente pelos herdeiros e que apenas membros da família saberão gerenciar adequadamente a empresa familiar.
Embora existam muitos aspectos positivos na continuidade da administração por membros da família tais como a facilidade de absorção do conhecimento do negócio pelos herdeiros , expectativa de comprometimento etc. há outros aspectos que não são ponderados e chegam a ser constantemente procrastinados.
Os fundadores acreditam, na maioria das vezes, que seus filhos terão o mesmo potencial e habilidade para tocar no futuro o negócio da família. Basta ter conhecimento prático adquirido no decorrer dos anos trabalhando na empresa.
Neste sentido é comum vermos filhos de empresários sendo levados por seus pais ao trabalho desde muito cedo. Em geral, o(a) fundador(a) traça um plano de carreira para seus filhos, começando pelas tarefas mais simples até alcançar postos de liderança após alguns anos de vivência empresarial.
Os fundadores, em geral, tomam estas iniciativas acreditando que o assunto, desta forma, passa a estar bem encaminhado. Entretanto, com o decorrer do tempo, é muito comum ver uma completa falta de sintonia entre o que os filhos sentem no trabalho, a vontade de assumir mais responsabilidades e a expectativa dos fundadores.
É muito comum os pais não aceitarem que os filhos trabalhem em outras empresas com receio de que não voltem mais ao negócio da família.
Ao invés de adotar uma postura imperativa sobre as futuras carreiras dos herdeiros seria fundamental que os fundadores de empresas familiares alargassem os seus horizontes ao invés de apenas focar nas vendas, geração de caixa e lucro do seu negócio. Esquecer ou pior, desconhecer aspectos humanos é fundamental para que a sucessão tenha um bom termo.
O diálogo construtivo entre pai, filha ou filho, começa desde o início da vida da criança e deveria ser uma constante. A conversa não deveria apenas girar sobre assuntos ligados aos negócios, mas sim temas gerais e amplos. Os pais deveriam cuidar para que seus filhos tivessem uma formação mais ampla além daquela que recebem nas instituições acadêmicas. Com o passar do tempo o interesse por uma profissão iria desabrochar podendo ser ou não, uma carreira nos negócios da família. O pai teria que aceitar a vontade e objetivos de seus filhos, mesmo sendo algo frustrante muitas vezes para os seus próprios planos pessoais e de negócios. O fim último do fundador de uma empresa tradicional (não considerar as startups tecnológicas) é a de passar o seu negócios aos filhos e netos. Talvez isto não ocorra por falta de interesse ou outras vocações demonstradas pelos herdeiros.
Os empresários sempre devem pensar o futuro do negócio familiar sem a presença de herdeiros na gestão e operação propriamente dita.
Existem alternativas mesmo que os herdeiros não assumam o comando da continuidade. Dentre elas:
A - Manter o negócio em posse da família e ter uma governança forte e ativa (Conselho), buscando profissionais do mercado para administrarem o negócio. Neste caso os herdeiros teriam que se tornar conselheiros.
B - Preparar o negócio familiar para a venda. Com o resultado da venda investir os recursos num Multiple Family Office, ou criar o seu próprio fundo para administrar a riqueza gerada em benefício da família e filhos.
C- Convidar investidores a participar dos negócios e também o administrar , e assim por diante.
O empresário, apesar de ser seu sonho, nunca deve pensar na perpetuação do seu negócio sem antes conhecer de fato os seus herdeiros. Caso eles não tenham afinidade com o negócio, o plano A pode ser a continuidade da empresa sem a presença ativa deles no dia a dia do negócio e o plano B a venda da empresa total ou parcial.










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