v=spf1 include:mxsspf.sendpulse.com +a +mx ~all
top of page

Destruindo o mito de que a empresa familiar é uma boa escolha para herdeiros jovens 

há 6 minutos
4 min de leitura

Ao assistir aos debates dos candidatos à Presidência da República, pudemos acompanhar a discussão sobre a idade penal a ser aplicada aos jovens que cometem crimes hediondos. É difícil chegar a uma opinião unânime e generalizada sobre o tema, pois cada pessoa forma o seu juízo de acordo com seus princípios e valores.

No decorrer do debate, porém, fui levado a refletir sobre a idade que um jovem deveria ter para se envolver no mundo dos negócios da família. Também, neste caso, não há unanimidade. Cada família pensa de maneira diferente sobre a questão, influenciada por sua própria educação e história de vida.


Formar herdeiros ou formar pessoas?


Tenho vivenciado e acompanhado casos em que os pais querem educar e formar os filhos única e exclusivamente para serem herdeiros dos seus negócios, sem lhes dar uma educação integral e mais abrangente. Essa postura me lembra a de agricultores humildes que chegam a ter filhos com o propósito de contar com mão de obra barata, e que desde cedo são obrigados a empunhar uma enxada em vez de serem alfabetizados na escolinha rural.

Em muitos casos, o empreendedor considera a sua empresa a melhor escola para a formação dos filhos e coloca em segundo plano a necessidade de uma formação acadêmica e, sobretudo, de uma formação voltada ao desenvolvimento das habilidades humanas.

Muitas dessas habilidades e conhecimentos moldam a personalidade dos filhos. Em vez de obrigá-los a trabalhar na empresa a partir dos 14 anos, outras possibilidades de desenvolvimento pessoal deveriam ser oferecidas.  O ideal seria dar a eles a oportunidade de trabalhar, sim, mas em outras empresas, em outras atividades, para, inclusive, desenvolver e reconhecer seus talentos. 

Há empresários que  argumentam que tudo o que os filhos aprendem em outras empresas poderiam estar aprendendo nas suas próprias empresas. No entanto, é por volta dos 14 anos que o desenvolvimento de muitas habilidades começa a dar frutos, que se colherão anos depois, quando os filhos estiverem efetivamente trabalhando nos negócios familiares.

Em vez de trabalhar na empresa da família, o jovem poderia dedicar parte do seu tempo a trabalhos voluntários em instituições sociais. Lá, conheceria os problemas da realidade social e teria a oportunidade de vivenciar o trabalho em equipe, discutir problemas e propor alternativas para solucioná-los, além de desenvolver sua liderança. Na empresa da família, seria uma pessoa subordinada, talvez a um chefe desagradável, ao passo que, confrontado com problemas reais da vida,   desenvolveria um pensamento crítico mais aguçado.

Ter tempo para organizar a própria vida, equilibrando estudos, tarefas e descanso, pode ter um desdobramento prático muito interessante no futuro: na vida adulta, esse jovem poderia se tornar um ótimo coordenador.

O papel dos pais

Em vez de delegar parte da formação dos filhos a supervisores e chefes sem as habilidades pedagógicas necessárias, os pais deveriam se organizar para observar uma série de comportamentos e atitudes dos filhos. Isso requer reservar algum tempo para estar com eles, por exemplo, observando como interagem com os amigos durante o lazer ou o esporte. Muitos traços de personalidade já afloram na adolescência, como o espírito de liderança, a competitividade, a comunicação e até a capacidade de resolver conflitos. O trabalho na empresa, em geral, não permite que esses aspectos sejam observados e comunicados aos pais.

A conversa dos pais com os filhos também é de grande importância. Quantos pais, obrigados a estar mergulhados nos problemas de suas empresas, dedicam tempo a trocar ideias com os filhos? Provavelmente muito poucos. Discutir questões de certo e errado (morais e éticas), das pequenas coisas do cotidiano às mais complexas, ajuda os filhos a decidir no futuro, em seus postos de trabalho. Saber tomar decisões acompanhará os jovens ao longo de suas carreiras profissionais. A discussão sobre assuntos políticos e sociais não deve ser descartada, e o incentivo à leitura e ao aprendizado de línguas não pode ser deixado de lado.

Não estamos imaginando, necessariamente, um pai intelectual e com importante formação acadêmica. Não é nada disso. O que importa são pais que estejam ao lado dos filhos e busquem, antes de mais nada, a formação deles como seres humanos, independentemente do grau de conhecimento acadêmico da mãe e do pai. A formação profissional virá depois e será melhor quanto mais o jovem tiver aprendido e vivenciado coisas que talvez nunca encontrasse na empresa.

A entrada dos filhos na empresa, com boa bagagem de vivência em relacionamentos humanos e, de certa forma, maduros para a idade, será um “ativo intelectual” importante a ser incorporado à organização.

Conselho de Administração: nem tão cedo

Muitos pais querem que os filhos, a partir dos 14 anos, já assistam às reuniões de Conselho, quando a empresa dispõe desse órgão. Pergunto: qual o benefício disso para o filho e para a própria empresa? Ainda jovens, os filhos vivem em outro mundo. Precisam de vivências pessoais, e não da obrigação de acompanhar o desempenho empresarial em reuniões de Conselho. Nessa idade, faltam-lhes muitas ferramentas acadêmicas, como análise de balanços, finanças, política e economia. Para eles, participar dessas reuniões torna-se tedioso e, além disso, pode gerar ojeriza para sempre.

Entre os 18 e os 21 anos, os filhos poderão se tornar bons ouvintes em reuniões de governança corporativa. Indicá-los como conselheiros nessa idade, porém, seria imprudente por diversas razões. Somente por motivos de força maior os filhos deveriam ser eleitos conselheiros.

Muitos pais têm pressa em ver os filhos se tornarem bons profissionais ao seu lado. Entretanto, quanto mais for investido na formação holística e integral dos filhos antes do ingresso na empresa familiar, maiores serão os frutos colhidos quando, de fato, ingressarem no mundo empresarial.


 
 
 

Comentários


Follow

  • facebook
  • twitter
  • linkedin

Contato

ENTRE EM CONTATO: +55 11 99182-6369

©2018 by THOMAS LANZ CONSULTORES. Proudly created by GrupoCASA with Wix.com

bottom of page